Ministério · Igreja Metodista Livre do Brasil

Células: Pequenos Grupos de Discipulado

Pequenos grupos que se reúnem, em geral nas casas, para oração, estudo da Palavra, comunhão e cuidado mútuo. É o jeito metodista de fazer discípulos — desde os dias de John Wesley.

Fundamento bíblico

Por que nos reunimos nas casas?

A igreja nasceu reunida em casas. Os primeiros cristãos, além de frequentarem o templo, partiam o pão de casa em casa (At 2.46-47) e ensinavam a Palavra no templo e nos lares (At 5.42; 20.20). Paulo chega a saudar “a igreja que se reúne na casa” de Priscila e Áquila (Rm 16.5).

No lar, a fé ganha rosto. Há hospitalidade, proximidade e partilha real da vida. Numa reunião pequena, cada pessoa é conhecida pelo nome, cuidada nas suas lutas e estimulada “ao amor e às boas obras” (Hb 10.24-25). Ninguém cresce sozinho: o discipulado acontece na comunhão.

Herança wesleyana

Sociedades, classes e bandas

Em 1739, um pequeno grupo de pessoas procurou John Wesley, em Londres, pedindo que ele passasse tempo com elas em oração e no estudo das Escrituras. Assim nasceram as Sociedades Metodistas Unidas: gente unida “em oração, para receber a palavra de exortação e para cuidar (vigiar) uns dos outros em amor”.

Para que ninguém se perdesse no anonimato, as sociedades foram divididas em classes: grupos de no máximo doze pessoas, com um líder, reunidos toda semana para edificação e cuidado mútuo. Além das classes, havia as bandas: grupos ainda menores e voluntários, em que os participantes confessavam os pecados uns aos outros e oravam uns pelos outros (Tg 5.16), buscando juntos a santidade.

As classes se mostraram um dos fatores mais importantes da continuidade do reavivamento metodista. No metodismo primitivo, pertencer à igreja era pertencer a uma classe — e as nossas células de hoje são as herdeiras diretas dessa prática.

Importância

Fé que se transmite pelo convívio

Célula é a reunião de cristãos em pequenos grupos para comunhão, cuidado mútuo, estudo bíblico e oração, com o intuito de promover o crescimento espiritual dos participantes e a evangelização de parentes e amigos.

Wesley preocupou-se com estruturas. Buscou-as para evangelizar as massas e também para promover a santidade e o crescimento espiritual dos convertidos, pesquisando o que havia entre morávios e pietistas. No movimento wesleyano, a questão-chave para a edificação de uma igreja com comunhão saudável — que vive, nutre e reflete os valores do Reino de Deus — foi o sistema de classes, os pequenos grupos de discipulado e santificação.

O pequeno grupo é importante porque transmite fé, e não apenas conhecimento. Aprendemos muito mais pelo convívio do que pela leitura. O poder da cultura é maior do que a força da nossa cosmovisão: não basta mudar a consciência, pois, sozinha, ela tende a sucumbir à cultura ao redor (Rm 12.2). As células são o melhor ambiente para o desenvolvimento de uma cultura cristã, em que os valores do Reino são nutridos pela vivência comunitária.

Não se deve desprezar o precioso papel desses grupos de apoio e cuidado mútuo: um ambiente acolhedor, solidário e favorável ao desenvolvimento do caráter cristão, pessoal e comunitário, sustentado por uma séria e salutar ordem disciplinar — exortação em amor (Ef 4.15), oração uns pelos outros (Tg 5.16) e estímulos mútuos (Hb 10.24-25). O movimento wesleyano demonstrou o valor imprescindível de estruturas normativas para disciplina e missão: algo como um pacto de membros, com supervisão dentro do grupo e prestação de contas do grupo e de seus líderes à comunidade mais ampla da igreja.

Líderes leigos

O sacerdócio de todos os crentes, na prática

As reuniões em grupos pequenos são também o melhor espaço para o exercício de dons e ministérios, favorecendo a formação e a multiplicação de novos líderes, novas células e novas igrejas.

A Reforma protestante ergueu a bandeira do sacerdócio universal de todos os crentes (1Pe 2.9), mas foi no movimento wesleyano que isso se deu na prática. Ao longo do ministério, Wesley chegou à conclusão de que os leigos podiam e deviam exercer o ministério sacerdotal — uma decisão fundamental para o crescimento quantitativo e qualitativo do movimento e para o sucesso de sua missão. Para que a igreja exerça sua missão de modo integral, é indispensável que a missão seja entendida como ministério de cada crente, e não fique restrita a uma elite de obreiros ordenados.

A missão da Igreja não é privilégio de um pequeno grupo de ministros ordenados, nem algo reservado a quem recebe chamado para o campo missionário no exterior. O cristão é missionário por excelência, onde quer que esteja — e não um cliente dos produtos da fé. Todos os membros da igreja, sem exceção, por terem sido integrados ao corpo, receberam dons e ministérios (1Co 12.7; Rm 12.4-6). A função dos líderes maduros é equipar homens e mulheres para a missão da Igreja no mundo (Ef 4.11-12). A Igreja não existe como fim em si mesma: existe para servir a Deus no mundo, na proclamação e expansão do evangelho do Reino, por palavras e boas obras — o que implica a participação ativa e construtiva de cada cristão: homens e mulheres, jovens e idosos, cultos e incultos, pobres e ricos.

Nossa regra de vida

O que diz o Manual da Igreja

O Manual da Igreja Metodista Livre trata dos pequenos grupos como parte essencial da vida da igreja, e não como um programa opcional:

“A participação em grupos pequenos é um meio de graça e de crescimento. O sustento material, a visão, a inspiração e a disciplina são frutos da comunhão.”Manual, §3230

“Vemos os grupos pequenos e células, dentro do Corpo maior de Cristo, como o melhor ambiente para o nascimento, discipulado, encorajamento e cuidado dos crentes.”Manual, §6060

Na seção “Grupos de Crescimento Espiritual / Grupos Pequenos / Células”, o Manual ainda orienta que:

  • os grupos tenham no máximo doze pessoas, como as classes de Wesley;
  • cada grupo tenha um líder escolhido com cuidado — membro da igreja, maduro na fé e alinhado às doutrinas metodistas livres;
  • as reuniões sejam regulares, de preferência semanais, em locais convenientes aos participantes;
  • o tempo seja dedicado à oração, ao estudo das Escrituras, ao compartilhamento de necessidades, aspirações e vitórias, e à comunhão em amor cristão;
  • os não crentes sejam evangelizados e convidados para essa comunhão.

Na prática

Como funciona entre nós

Nossas células se reúnem geralmente uma vez por semana, nas casas. O encontro é simples: oração uns pelos outros, a Palavra estudada e aplicada à vida, partilha do que cada um está vivendo e um tempo de comunhão — muitas vezes ao redor da mesa, como na igreja primitiva.

A casa aberta também é uma porta natural para o evangelho: vizinhos, parentes e amigos que talvez nunca entrassem num templo aceitam com facilidade o convite para um café. Quando o grupo cresce além do tamanho de uma classe, ele se multiplica, e novos líderes são formados — assim a igreja se expande de lar em lar.

Vídeo

A importância das células

Uma palavra do Bispo Ildo Mello sobre o valor dos pequenos grupos no discipulado.

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