COTOM — o cuidado com o chamado, a formação e a integridade dos ministros
Quem cuida de quem cuida da igreja? Se o pastor pastoreia o rebanho, quem forma, orienta e acompanha aquele que Deus chama ao ministério? Na Igreja Metodista Livre, essa responsabilidade tem um nome: a COTOM.
A Comissão de Treinamento e Orientação Ministerial é a comissão permanente de cada Concílio Regional encarregada de reconhecer os chamados de Deus, preparar os candidatos ao ministério, acompanhar os pastores ao longo da vida e zelar pela sua integridade. Ela existe para que a igreja tenha obreiros idôneos, bem formados e fiéis (2Tm 2.2).
“As coisas que de mim ouviste… confia-as a homens fiéis e idôneos para instruir também a outros.”2 Timóteo 2.2 (NAA)
Cada Concílio Regional deve ter uma COTOM permanente, formada pelos membros da Comissão Designadora e por outros membros eleitos pelo plenário (§ 5220). O número total fica entre quatro e doze pessoas, com equilíbrio entre leigos e pastores e mandatos limitados, para que o trabalho seja plural e se renove.
Ela não age sozinha: recomenda, e o Concílio Regional decide. Mas é dela que partem o discernimento e o acompanhamento de quem se dedica ao ministério pastoral.
A primeira tarefa da COTOM, em cooperação com a igreja local, é identificar aqueles que sentem o chamado de Deus para o ministério (Ef 4.11-12). A partir daí, ela seleciona os candidatos a serem recebidos no Concílio, orienta e aconselha os que são recebidos e cuida para que estejam preparados para as exigências do ministério pastoral.
É trabalho de discernimento e paciência. A Escritura adverte que não se imponham as mãos precipitadamente sobre ninguém (1Tm 5.22): reconhecer um chamado pede tempo, prova de caráter e maturidade.
Cabe à COTOM, em consulta com o Bispo, estabelecer os critérios para a ordenação; e ao Concílio Regional, sob recomendação dela, aprovar os candidatos ao ministério. Assim se guarda a porta de entrada do presbitério, para que a igreja receba pastores segundo o coração de Deus (Jr 3.15; 1Tm 3.1-7; Tt 1.5).
O cuidado não termina na ordenação. A COTOM desenvolve e supervisiona um programa de mentoreamento, com mentores qualificados para ajudar os novos pastores a crescer no aspecto pessoal, espiritual e profissional. Também monitora a educação continuada de cada pastor e estabelece políticas de cuidado — prebenda, benefícios, licenças e férias —, para que o obreiro seja sustentado com dignidade (1Tm 5.17-18).
Faz parte de seu papel identificar, entre os pastores, aqueles com dom para implantar novas igrejas, ampliando o alcance do evangelho.
A cada ano, a COTOM atesta ao Concílio a integridade e o discipulado cristão de cada pastor (§ 8100). E, quando há pecado que compromete a vida ou o ministério de um obreiro, ela não se omite: age para falar a verdade em amor e buscar a cura da pessoa e da igreja (§ 7130).
O alvo, porém, nunca é punir por punir. Seguindo o padrão de Jesus, o processo caminha para o arrependimento, o perdão e o retorno à comunhão (§ 7120). Começa pelo conselho particular e confidencial; se necessário, avança para um Compromisso de Restauração e, em casos graves, para a suspensão — sempre com o coração voltado a restaurar o que caiu, com mansidão, lembrando que também podemos ser tentados (Gl 6.1).
Por trás de cada pastor fiel há uma igreja que o reconheceu, formou e sustentou. A COTOM encarna esse cuidado: guarda a qualidade e a santidade do ministério, não por burocracia, mas por amor à igreja e às almas que serão pastoreadas.
Oremos por quem serve nessa comissão, para que uma firmeza e ternura: firmeza para preservar o ministério, ternura para restaurar o obreiro. E que nunca falte, entre nós, gente disposta a dizer “eis-me aqui” ao chamado de Deus.
No amor do Senhor,
Bispo Ildo Mello
Fonte: Manual da Igreja Metodista Livre (2024–2027) — § 5220 (Capítulo 5) e §§ 7120–7130 (Capítulo 7).